7 de dezembro de 2008

Análise de conjuntura...



Passeando pela blogosfera, me deparei com tanta coisa em comum no universo feminino que até poderia repetir a lenda urbana que toda a mulher é igual. Aí decidi deixar de lado as histórias da Tia Patty, ao menos até que ela resolva deixar de lado essas histórias e partir pra outras menos improdutivas...

A mulherada tá mesmo disposta a fazer acontecer. Combinado, vamos dominar o mundo!! Mas daí lembrei de algo que lí em algum lugar (não vou ficar citando todas as fontes aqui porque isso atrasa o post), e é meio assim.

"Acautelem-se, pois, amadas meninas, diante das seduções e os pactos que os machos oferecem, abrindo postos de emprego às mulheres, cedendo-lhes o poder do mando, desde que elas desempenhem, do mesmo modo que eles, a reprodução dos desmantelos de um delírio civilizatório que tudo mata."

Feminismo à parte, vejo uma porção de meninas reproduzindo o que criticamos no macharedo. Sério. Lembrando a adolescência, é parecido. Naquela época, a gente ganhava a balinha do menino, chupava, e guardava o papelzinho na agenda pra mostrar pras amigas depois. Se o papelzinho tivesse um recadinho (ou qualquer bobagem assim), era mais bonitinho ainda. Hoje a gente escolhe o menino, seduz, ele chega com a balinha, compra o papelzinho pra gente chupar a balinha (façam um esforço pra entender o trocadilho), tudo politicamente correto, e depois a gente fica comentando sobre o menino, o papelzinho, a balinha, tudo. E a parte de coletivizar a experiência acaba sendo (muitas vezes) mais divertida que o encontro. Tô mentindo?!

Digo isso por experiência. As histórias da Tia Patty. Ela conta, detalhadamente, os fatos que viram post. E não vamos brigar com ela não. Não por isso. Todo mundo faz isso. Meninos e meninas. E odiamos quando falam da gente, coletivamente, de forma comparativa. Ou não!? Aposto que a maioria de nós prefere uma história de Cinderela à musa de folhetim. Adoramos ser admiradas, postas acima do restante das mortais, mas não desse jeito. Assim como não gostamos de admitir que agimos da mesma forma. Sempre que alguém diz, ou insinua isso, escuta um mas é diferente de uma de nós. Onde está a diferença?!
Também não estou aqui chamando ninguém de cafa, nem dando a entender que todos os corpos que passaram pela gente viraram item de roda feminina, puramente. A gente se envolve, sente, sofre, vibra, curte, projeta. Mas também comentamos. Detalhadamente. Às vezes, até de forma ilustrativa. E nos decepcionamos profundamente quando descobrimos que comentaram sobre nós também. Dói. A gente se sente um bife na prateleira do açougue.

De onde surgiu esse assunto?? Ontem resolvi assistir O DIÁRIO DE BRIGIT JONES (sim, sei que não é o melhor programa pruma sexta) e fiquei rindo sozinha dos amigos dela propondo o brinde de aniversário ("porque nós a amamos exatamente como ela é") . Somos românticas. Somos decididas. Somos bem-intensionadas. Mas não sabemos não comentar as coisas boas (principalmente) que nos acontecem. E, muitas vezes, os nossos ouvintes também não sabem não comentar. E isso agiliza todo o processo de rádio-corredor, pelo qual somos tão conhecidas. Meninos, acreditem, não é por mal. Nem por ideal de competição. É apenas uma forma de trazer pro grupo as coisas boas que vivemos, já que coisa chata pra contar a gente sempre tem sobrando. Isso quando não estamos naquela fase sem-nada-pra-contar, mas isso é assuto pra outro post.

Só gostaria de registrar aqui que não comentamos de forma comparativa. Apenas narramos os fatos. Às vezes, raramente, nos damos ao trabalho de analisar os fatos. Mas isso não vale pra tudo o que vivemos. Na maioria das vezes, apenas registramos as coisas importantes...

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